Ogã

Nenê

Alguns bateristas parecem envelhecer da mesma maneira que os vinhos: aumentando a qualidade a cada dia. Nenê é um desses caras. A cada momento em que ouvimos qualquer coisa que ele faça, tudo parece soar melhor do que ontem, tudo se transforma em algo novo e surpreendente.
Em seu mais recente trabalho, ele exibe a sutileza daqueles que não precisam mais exibir seus dotes rítmicos para impressionar ninguém. Isso explica por que temas como “Curitibana” e “Salvador” sustentam-se apenas com as leves intervenções de Nenê nos pratos, como ocasionais e tranqüilos ataques aos tambores. Para “piorar”, Nenê se aventura no piano com assustadora desenvoltura, derramando notas e acordes de pura beleza em uma justíssima homenagem ao genial Moacir Santos em “Mr. Santos”. O solo que abre “Comigo o Arroz é Seco” é tão emblemático da musicalidade de Nenê que soa exatamente como a introdução do tema, sem parecer um apêndice desnecessário. O balanço ´torto`de “Funkstein” e “Itiberê” impressionam pelo extenso repertório rítmico, ao passo que a intensidade de “Entrevero em Santa Cruz” faz o lendário Return to Forever parecer um grupo de baile. Que discaço!
Regis Tadeu para a revista Batera julho 2005

O nono disco-solo de NENÊ, Ogã, traz um repertório totalmente voltado para a música brasileira e de extremo bom-gosto.
Paulo Darcie e Mariana Souza revista Batera julho 2005


Bop till you drop

Rio de Janeiro Jazz Trio

Nelson Gobbi

Formado pelo contrabaixista brasileiro Paulo Russo, o pianista italiano Dario Galante e o baterista americano Andrew Scott Potter, o globalizado Rio de Janeiro Jazz Trio lança seu terceiro álbum, Bop till you drop.
Juntos há quatro anos, os músicos já lançaram os CDs Marakablu e Pulso Forte, onde também misturam suas referências jazzísticas a ritmos regionais brasileiros.
Alheios aos excessos de virtuosismo, os instrumentistas brilham juntos em em solos tecnicamente impecáveis, em temas compostos pelo americano e o brasileiro, em sua maioria. Paulo Russo mostra porque está entre os maiores contrabaixistas brasileiros, em faixas como Dançar samba no Rio, na belíssima balada Matheus, de sua autoria, e a faixa que da nome ao álbum.
O discreto Galante, que faz uma excepcional cama melódica para os parceiros, vez por outra presenteia o ouvinte com seu piano elétrico, alternando referências puramente jazzísticas e pitadas de bossa nova. É o italiano quem tempera faixas como Think about her e Vai ficar Russo, homenagem do pianista Gilson Peranzetta ao amigo contrabaixista.
Andrew Scott Potter traz um mundo de referências em suas baquetas, do jazz de sua terra natal aos ritmos do país que o adotou, como o do samba sincopado de Balança na canoa, de Assis Calixto, e o maracatu de Blues/Silêncio dos tambores.
Um trio em perfeita sintonia, de técnica irrepreensível e sem limites criativos. Somado a um repertório empolgante e sofisticado, o resultado do disco não poderia deixar de estar acima da média.


Chamber Music from the South

Paquito D´Rivera

O clarinetista cubano Paquito D´Rivera, 49 anos, produz o melhor disco de sua carreira de três décadas, não voa em valsas virtuosísticas, e sim executa peças eruditas latino-americanas, acompanhado pelo pianista uruguaio Pablo Zinger e o violoncelista carioca Gustavo Tavares. Em faixas como “Danzón” (de sua autoria), “Danzas Cubanas” (Ignacio Cervantes) e “Fantasia Concertante” (Villa-Lobos), ele exibe profundidade total.
Gazeta Mercantil –SP


 

Bossa Jazz

Celso Pixinga

A carreira do baixista Celso Pixinga soma 25 anos. O reconhecimento internacional veio através de duas importantes revistas de música como a “Down Beat” e a “Bass Frontier” que o consideraram como o melhor baixista do mundo na técnica do “slap”, em que um pedal de guitarra é usado no baixo. O resultado deste intercâmbio é um som mais pesado. Essa especialidade lhe rendeu convites para tocar com o baterista Dave Weckel, com o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, entre outros grandes nomes do jazz.
O título que lança agora pelo selo Mix House , “Bossa Jazz”, é singular. Temos Celso Pixinga acompanhado pelas excelentes cantoras Rita Kfouri, Maria do Carmo Diniz, Valma Ruggeri e Lica Ceccato, interpretando standards de jazz como “It Had to be You” e “Good Enough”, a interpretação de Lica Ceccato na composição de sua autoria “No Good Bye” e pérolas brasileiras como “Lembra de Mim” de Ivan Lins e “Vitor Martins”, “Só Tinha de Ser com Você” de Tom Jobim e Aloysio Oliveira e “Só Danço Samba” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Nas duas faixas instrumentais temos “Zona Oeste” do grande contrabaixista Nico Assumpção e “Wave” de Tom Jobim.
Com certeza este álbum surpreenderá o ouvinte pela peculiaridade dos arranjos e interpretações, onde podemos sentir a marca da personalidade musical deste grande músico, Celso Pixinga.


 


 

Rio

Raul de Souza (featuring Conrad Herwig)

Conheci Raul de Souza ainda nos anos 50, com uniforme da banda da aeronáutica, tocando o velho trombone de pisto em dueto com Maciel, o Maluco, pelas ruas desertas da noite curitibana. O som lembrava o da dupla J.J. (Johnson) & Kai (Winding), que fazia sucesso na época. Quarenta anos depois Raulzinho – que mora em Paris – volta à fórmula dos dois trombones, com o americano Conrad Herwig, num disco gravado em 1997 em São Paulo. Rio (Mix House, produção de Cilene Peres), tem ainda dois saxofones (um deles alternando-se na flauta) e seção rítmica (piano/baixo/bateria/percussão). O repertório é o fino da MPB passado no liquidificador dos arranjos do maestro Branco e do trombonista Herwig, que transforma temas banais como Pra Ser Brasileira (Taiguara), e Não Deu (Djavan) em cavalos-de-batalha jazzísticos. Chora Sua Tristeza vira samba de gafieira no arranjo do maestro Branco.
Mas a festa é mesmo de Raul, que toca também o Souzabone (instrumento de sua invenção) e exalta sua cidade natal em Piano na Mangueira (Jobim-Chico) e na faixa título, Rio (Menescal-Bôscoli), seis minutos de suingue e energia pura.

Roberto Muggiati, dezembro 1998, Manchete